Reino de Emínia: Difference between revisions
Created page with "__NOTOC__ <!-- ========================== --> <!-- INFOBOX DO REINO DE EMÍNIA --> <!-- ========================== --> {| class="infobox" style="width:23em; font-size:95%; border:1px solid #d9c9a7; background:#f7f3e8;" |- ! colspan="2" style="text-align:center; font-size:130%; background:#e9ddc7;" | '''Reino de Emínia''' |- | colspan="2" style="text-align:center;" | 150px|alt=Brasão de Emínia |- ! Capital | Thieux-en-Saint Théoton |- ! Lí..." |
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! | !"Reino de Emínia'' | ||
!"Royaume d'Éminie'' | |||
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! Capital | ! Capital | ||
| Thieux-en-Saint Théoton | | Thieux-en-Saint Théoton | ||
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! Línguas oficiais | ! Línguas oficiais | ||
| Português (nacional) | | Português (nacional)<br />Francês (co-oficial) | ||
Francês (co-oficial) | |||
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! Língua diplomática | |||
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! Forma de governo | ! Forma de governo | ||
| Monarquia | | Monarquia popular, municipalista e orgânica | ||
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! | ! Chefe de Estado | ||
| | | Rei de Emínia<br />Luís Filipe de Emínia | ||
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! | ! Órgão executivo | ||
| [[Cúria Régia]] | | [[Cúria Régia]] | ||
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! | ! Órgão representativo | ||
| [[Cortes Eminianas]] | | [[Cortes Eminianas]] | ||
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! | ! Unidades territoriais | ||
| Beetrias | | [[Beetrias de Emínia|Beetrias]] | ||
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! Estado-membro | ! Estado-membro de | ||
| [[Império de Karnia-Ruténia]] | | [[Império de Karnia-Ruténia]] | ||
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! Tratado | ! Fundação | ||
| | | 13 Dez 2020 – Proclamação<br />13 Dez 2021 – Tratado<br />2025 – Refundação | ||
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! Religião | |||
| Sem religião oficial;<br />influência cultural do Espírito Santo e do V Império | |||
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! Moeda | |||
| Sem moeda oficial;<br />Euro e Real (uso corrente) | |||
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O '''Reino de Emínia''' é um Estado-membro do [[Império de Karnia-Ruténia]] e constitui uma monarquia popular, municipalista e orgânica, definida pela [[Ordenação Eminiana 01/2025]]. O Reino articula elementos da tradição jurídica e comunitária portuguesa com uma visão espiritual inspirada no ideal do V Império e na filosofia de Agostinho da Silva, configurando-se não como um Estado moderno convencional, mas como um '''laboratório simbólico-operativo''' dedicado à renovação da cultura, da comunidade e da liberdade interior. | |||
A figura central da governação é o '''Rei de Emínia''', guardião da identidade espiritual e cultural do Reino e símbolo da sua unidade. O monarca exerce uma autoridade de serviço, orientada pela palavra dada, pela moderação e pela missão de assegurar o equilíbrio entre os poderes e a fidelidade aos princípios da Ordenação. | |||
A administração é conduzida pela [[Cúria Régia]], órgão executivo responsável pela governação quotidiana, e pelas [[Cortes Eminianas]], assembleia representativa composta por delegados das Beetrias, membros de mérito e representantes designados nos termos da Ordenação. As Beetrias constituem a base territorial e comunitária de Emínia: unidades autónomas com poderes legislativos, executivos e judiciais para assuntos locais, refletindo a tradição municipal portuguesa reinterpretada para o século XXI. | |||
O tecido social do Reino organiza-se ainda em três Ordens — a '''Ordem Sapientiae''', a '''Ordem Defensorum''' e a '''Ordem Operantium''' — que expressam vocações distintas dentro da comunidade: o estudo e a criação intelectual, a proteção e o serviço, e o trabalho operativo e técnico. Estas Ordens constituem um eixo civilizacional próprio, destinado a promover mérito, responsabilidade e participação ativa na vida do Reino. | |||
Enquanto projeto cultural, Emínia reconhece a língua portuguesa como fundamento da sua identidade espiritual e histórica, adotando o francês como língua co-oficial, refletindo a localização da capital e o diálogo lusófono-francófono que marca a história do Reino. A capital, '''Thieux-en-Saint Théoton''', acolhe a Corte e as instituições centrais, assumindo-se como o centro simbólico, espiritual e organizativo da vida eminiana. | |||
A refundação do Reino em 2025 reafirma a sua vocação: construir um espaço onde tradição e futuro se iluminem mutuamente, integrando municipalismo, fraternidade espiritual, mérito, criação cultural e liberdade interior — uma expressão contemporânea da antiga aspiração lusitana ao Reino do Espírito Santo. | |||
</div> | |||
== Etimologia == | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
O nome '''Emínia''' deriva de '''''Aeminium''''', designação latina atribuída ao antigo núcleo urbano que antecedeu a cidade de Coimbra durante a época romana. A etimologia de ''Aeminium'' é geralmente associada às ideias de “elevação”, “altura” ou “cimo”, refletindo a geografia da colina sobre a qual se ergueu o assentamento. | |||
A escolha do nome para o Reino de Emínia retoma esta raiz histórica e simbólica. A ligação a ''Aeminium'' evoca não apenas uma continuidade cultural com o passado romano-lusitano, mas também a ideia de elevação espiritual e intelectual que o Reino procura promover. Assim, o termo “Emínia” não designa apenas um espaço político, mas expressa uma vocação: erguer, elevar, iluminar — retomando a dimensão ascensional que o nome original continha. | |||
No contexto da refundação de 2025, esta etimologia adquire novo sentido enquanto metáfora de um projeto que se assume como espaço de síntese cultural, liberdade interior e experimentação civilizacional. | |||
</div> | |||
== História == | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
=== Origem (2020–2021) === | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
O Reino de Emínia teve origem no final de 2020, num contexto de experimentação política e cultural situado no meio lusófono e franco-lusófono do micronacionalismo. Antes da sua criação formal, o projeto articulava referências simbólicas a territórios localizados em Portugal, no Brasil e em França, refletindo a trajetória pessoal e geográfica do seu fundador e o carácter transnacional da comunidade que o apoiava. | |||
Em 13 de dezembro de 2020, Luís Filipe de Orlheón proclamou a fundação do Reino, após um período de negociações iniciado a 30 de novembro e acompanhado por interlocutores do [[Império de Karnia-Ruténia]]. O fundador era então uma figura experiente no meio, tendo dirigido o projeto do “Reino de Portugal e Algarves” em vertente simulacionista. Procurando ultrapassar os limites desse formato e construir um quadro mais coerente e identitário, abandonou o simulacionismo e estabeleceu Emínia como uma monarquia popular. Reconheceu ainda, de forma simbólica, o seu pai, Victor Manuel de Bregenza, como primeiro Rei dos Eminianos, afirmando a continuidade de uma linhagem e instituindo o seu irmão, Guilherme de Vizée, como herdeiro. | |||
Durante o ano de 2021, Emínia participou na Conference of Santiago e em iniciativas lusófonas e brasileiras associadas ao micronacionalismo. Contudo, enfrentou também períodos de baixa atividade e limitações tecnológicas que afetaram o desenvolvimento do projeto. Estas dificuldades levaram, no final de 2021, à abertura de negociações com o [[Império de Karnia-Ruténia]], culminando na assinatura do '''[[Tratado de Thieux-en-Saint Théoton]]'''. Pelo tratado, Emínia tornou-se um Estado-membro do Império, preservando os seus elementos culturais e identitários, ao mesmo tempo que encontrava um enquadramento mais sólido para a sua continuidade institucional. | |||
</div> | |||
=== Pausa e transformação filosófica (2022–2024) === | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
Entre 2022 e 2024, o Reino de Emínia entrou num período de pausa e rarefação de atividade. Este intervalo marcou uma inflexão profunda no projeto: não se tratou apenas de uma suspensão prática, mas de um momento de transformação conceptual que levou à revisão integral da identidade, do propósito e das finalidades do Reino. | |||
O ponto de viragem ocorreu quando o fundador de Emínia se aproximou do pensamento de '''Agostinho da Silva''', especialmente do ideal do '''V Império''' — uma das mais originais sínteses filosóficas da cultura portuguesa. Diferentemente de conceções políticas ou imperiais tradicionais, o V Império, segundo Agostinho, não se define por território, poder militar ou administração estatal. É, antes, uma comunidade espiritual de povos, unida pela criatividade, pela liberdade interior, pela fraternidade e pela recusa de estruturas opressivas. É um “império da liberdade”, no qual cada pessoa alcança a plenitude das suas possibilidades e onde a governação é entendida como serviço e não domínio. | |||
Outro elemento determinante desta fase foi a leitura agostiniana da figura de '''Dom Dinis''', vista não como rei absoluto ou feudal, mas como exemplo de governação equilibrada, fundada na palavra dada, na autonomia das comunidades e na promoção da cultura e do conhecimento. Para Agostinho da Silva, Dom Dinis personificava uma forma de monarquia orgânica, na qual o rei é guardião, mediador e servidor — e não mero administrador do Estado. Esta perspetiva convergiu com a intuição de que Emínia poderia reviver um modelo político baseado na autonomia local, na responsabilidade comunitária e num serviço régio de inspiração espiritual e cultural. | |||
Destas reflexões nasceu a ideia de que Emínia deveria tornar-se um '''espaço simbólico-operativo''', conceito que descreve uma entidade que não depende de território físico para ter existência real. É simbólico, porque trabalha com a memória, a tradição, a identidade e a imaginação cultural. É operativo, porque atua na vida das pessoas através de práticas, projetos, educação, criação, investigação, rituais comunitários e serviço — transformando efetivamente mentalidades, comunidades e modos de viver. | |||
Assim, entre 2022 e 2024, Emínia deixou progressivamente de se ver como uma micronação e começou a maturar num projeto civilizacional inspirado pela cultura lusitana, pela visão do V Império, pela intuição agostiniana do futuro e pelo municipalismo tradicional português. A pausa revelou-se não interrupção, mas gestação: o Reino como possibilidade, não como imitação; como criação, não como simulação. | |||
</div> | |||
=== Refundação e Ordenação Eminiana (2025) === | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
A refundação de Emínia em 2025 constituiu um marco decisivo na evolução do Reino. Após o período de pausa e transformação conceptual que caracterizou os anos de 2022 a 2024, tornou-se claro que o projeto necessitava de uma nova base jurídica, simbólica e operacional que integrasse coerentemente os princípios espirituais, comunitários e culturais amadurecidos durante aquele período de reflexão. | |||
A resposta foi a promulgação da '''[[Ordenação Eminiana 01/2025]]''', que substituiu completamente os textos constitucionais anteriores e estabeleceu o enquadramento político, cultural e espiritual que hoje define o Reino. A Ordenação funciona simultaneamente como lei fundamental, carta de missão e pacto civilizacional. | |||
Entre as suas principais inovações, destacam-se: | |||
'''1. Monarquia popular, municipalista e orgânica.''' | |||
A Ordenação descreve Emínia como uma monarquia de serviço, estruturada através das Beetrias — comunidades autónomas com competências legislativas, executivas e judiciais sobre a vida local — resgatando e atualizando a tradição municipalista portuguesa. | |||
'''2. O papel do Rei como guardião espiritual e cultural.''' | |||
Inspirado pela leitura agostiniana de Dom Dinis, o Rei é mediador, protetor e servidor da comunidade, exercendo uma autoridade associada ao serviço, à palavra dada e à promoção da harmonia interna. | |||
'''3. Criação das três Ordens sociais.''' | |||
A sociedade organiza-se em três Ordens vocacionais: | |||
* '''Sapientiae''' — estudo, criação intelectual e reflexão cultural; | |||
* '''Defensorum''' — proteção, serviço comunitário e mediação; | |||
* '''Operantium''' — trabalho operativo, técnico e artesanal. | |||
Estas Ordens valorizam mérito, utilidade comum e realização pessoal. | |||
'''4. Centralidade das Beetrias.''' | |||
Unidades territoriais autónomas, as Beetrias elaboram Forais, elegem representantes, administram recursos e definem costumes locais, constituindo o núcleo do municipalismo eminiano. | |||
'''5. Integração no Império de Karnia-Ruténia.''' | |||
A refundação reafirma a vigência do '''[[Tratado de Thieux-en-Saint Théoton]]''' e a posição de Emínia como Estado-membro do Império, preservando autonomia cultural e espiritual. | |||
'''6. Emínia como micronação ampliada e espaço simbólico-operativo.''' | |||
A refundação reafirma Emínia como micronação, mas ultrapassa o modelo convencional associado ao termo. O Reino torna-se um '''espaço simbólico-operativo''', onde símbolos, memória, tradição e imaginação cultural coexistem com práticas concretas — educativas, comunitárias, criativas e espirituais — produzindo efeitos reais na vida das pessoas. Assim, a micronação deixa de ser o fim e converte-se no veículo de um projeto civilizacional mais amplo. | |||
A refundação de 2025 assinala, assim, a maturação plena do projeto. Emínia deixa de ser uma experiência político-simulacionista e converte-se num espaço de síntese entre tradição e futuro, reinvenção cultural, educação para a liberdade e construção comunitária. A Ordenação Eminiana estabelece as bases de um Reino cuja finalidade não é apenas imitar Estados, mas gerar sentido, cultivar espírito e oferecer caminhos alternativos para a vida comum. | |||
</div> | |||
== Geografia == | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
A geografia de Emínia combina elementos territoriais existentes no âmbito micronacional com estruturas operativas definidas pela Ordenação Eminiana. Embora o Reino não detenha soberania territorial reconhecida internacionalmente, mantém uma estrutura formal com capital definida e unidades territoriais denominadas Beetrias. A longo prazo, o projeto contempla a possibilidade de adquirir ou administrar espaços físicos para fins culturais ou comunitários. | |||
=== Organização territorial: as Beetrias === | |||
As Beetrias constituem a divisão territorial fundamental de Emínia. Cada Beetria é definida como: | |||
* unidade territorial autónoma reconhecida pelo Reino; | |||
* detentora de competência legislativa local; | |||
* administrada segundo o seu Foral; | |||
* responsável pela gestão de recursos, usos e costumes; | |||
* representada nas [[Cortes Eminianas]]. | |||
Ainda que algumas Beetrias possuam natureza simbólica, o modelo territorial foi concebido para acomodar futura expansão física, incluindo propriedades rurais, espaços culturais ou enclaves administrativos. | |||
=== Capital: Thieux-en-Saint Théoton === | |||
A capital de Emínia é '''Thieux-en-Saint Théoton''', localizada na região francófona associada ao percurso pessoal e comunitário do fundador. A cidade acolhe a Corte, a [[Cúria Régia]] e os principais órgãos administrativos do Reino. | |||
=== Território e operacionalidade === | |||
O conceito territorial de Emínia assenta em três dimensões: | |||
# '''Território formal''' — constituído pelas Beetrias reconhecidas; | |||
# '''Território aspiracional''' — áreas cuja futura aquisição ou administração é considerada possível pelo Reino; | |||
# '''Território simbólico-operativo''' — espaços relevantes pela sua função cultural, comunitária ou institucional. | |||
Este modelo permite o desenvolvimento progressivo do Reino sem renunciar à consolidação futura de território físico. | |||
= | === Enquadramento histórico-territorial === | ||
Nas fases iniciais (2020–2021), Emínia utilizou referências territoriais simbólicas associadas a Portugal, Brasil e França. Com a refundação de 2025, adotou uma estrutura territorial estável, centrada na capital e nas Beetrias, mantendo abertura à expansão e consolidação territorial futura. | |||
</div> | |||
== Política == | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
A | A política do Reino de Emínia organiza-se de acordo com a '''[[Ordenação Eminiana 01/2025]]''', que define o Reino como uma monarquia popular, municipalista e orgânica. O sistema combina elementos da tradição municipal portuguesa com uma estrutura régia de caráter moderador, valorizando a autonomia comunitária e a participação local. | ||
=== Sistema político === | |||
O modelo político eminiano assenta em três pilares: | |||
* a autoridade régia como serviço e mediação; | |||
* a autonomia das Beetrias enquanto unidades territoriais; | |||
* a participação comunitária através das Cortes Eminianas e das Ordens sociais. | |||
= | === Monarca === | ||
O | O '''Rei de Emínia''' é Chefe de Estado e símbolo da unidade do Reino. Exerce funções moderadoras, culturais e representativas, inspiradas na leitura agostiniana de Dom Dinis. Compete-lhe sancionar normas, nomear a Cúria Régia, convocar as Cortes e supervisionar as Ordens sociais. | ||
=== Cúria Régia === | |||
A '''Cúria Régia''' é o órgão executivo do Reino, composta por oficiais nomeados pelo Rei. É responsável por executar decisões régias e legais, coordenar a administração central e apoiar as Beetrias. | |||
= | === Cortes Eminianas === | ||
As '''Cortes Eminianas''' são a assembleia representativa do Reino. Não são bicamerais e incluem: | |||
* delegados das Beetrias; | |||
* representantes das Ordens; | |||
* membros de mérito. | |||
Compete-lhes deliberar sobre matérias gerais, aconselhar o Rei e aprovar normas de interesse comum. | |||
== | === Ordens sociais === | ||
A sociedade organiza-se em três Ordens: | |||
* '''Sapientiae''' — estudo e criação intelectual; | |||
* '''Defensorum''' — serviço comunitário e mediação; | |||
* '''Operantium''' — trabalho operativo e técnico. | |||
As Ordens funcionam como estruturas vocacionais ao serviço da comunidade. | |||
=== Beetrias === | |||
As '''Beetrias''' são unidades territoriais autónomas com Forais próprios, competências legislativas locais, administração interna e representação nas Cortes. Constituem a base do municipalismo eminiano. | |||
== | === Emínia no Império de Karnia-Ruténia === | ||
Emínia é Estado-membro do [[Império de Karnia-Ruténia]] ao abrigo do '''[[Tratado de Thieux-en-Saint Théoton]]'''. Mantém autonomia interna e cultural, integrando-se simultaneamente na estrutura imperial e reconhecendo o Imperador como autoridade suprema do Império. | |||
</div> | |||
== | == Economia == | ||
<div style="text-align:justify;"> | |||
A economia do Reino de Emínia encontra-se numa fase de desenvolvimento inicial, refletindo a sua natureza micronacional e o seu enquadramento enquanto Estado-membro do [[Império de Karnia-Ruténia]]. Durante o período anterior à refundação de 2025, a atividade económica era limitada, influenciada pelas restrições impostas pela pandemia de COVID-19 e pela ausência de estruturas operativas mais amplas. | |||
Historicamente, o Reino estudou a possibilidade de adotar o '''Conferential Doubloon''', moeda virtual ligada à Conference of Santiago Financial Authority. A adoção dependia da evolução do estatuto de Emínia naquela organização, na qual detinha posição de observador. | |||
- | Com a refundação, a política económica passou a orientar-se para três eixos principais: | ||
= | === Economia comunitária e municipalista === | ||
Inspirada na autonomia das Beetrias, a economia local enfatiza iniciativas cooperativas e comunitárias, incluindo agricultura de pequena escala, artesanato, serviços culturais e economia solidária. | |||
== | === Projetos culturais e patrimoniais === | ||
O | O Reino tem como objetivo estratégico a criação ou gestão de espaços físicos — como propriedades rurais, centros culturais ou património restaurado — gerando receitas próprias, atividades educativas, turismo cultural e emprego comunitário. | ||
* | === Sistemas económicos alternativos === | ||
* | Emínia mantém abertura para modelos económicos inovadores, incluindo: | ||
* | * moedas alternativas internas; | ||
* | * créditos comunitários; | ||
* economias simbólicas associadas às Ordens sociais; | |||
* eventual integração em estruturas financeiras lusófonas ou micronacionais. | |||
A economia eminiana privilegia a sustentabilidade comunitária e cultural, funcionando como suporte da vida social, espiritual e identitária do Reino. | |||
A | |||
</div> | |||
== | == Demografia == | ||
<div style="text-align:justify;"> | |||
A população do Reino de Emínia é reduzida e varia conforme o nível de participação ativa dos seus membros. Tal como ocorre em várias micronações contemporâneas, a demografia eminiana não se define por critérios territoriais tradicionais, mas pelo vínculo jurídico, cultural e comunitário estabelecido com o Reino. | |||
Durante a fase inicial (2020–2021), os registos oficiais indicavam entre cinco e seis cidadãos, localizados sobretudo em Portugal, França e Brasil. Após a refundação de 2025, o número de cidadãos passou a refletir sobretudo a adesão às estruturas institucionais — Beetrias e Ordens sociais — mais do que a residência física num território específico. | |||
= | === Distribuição e composição === | ||
A comunidade eminiana caracteriza-se por: | |||
* dispersão geográfica entre Europa e América do Sul; | |||
* predomínio de adultos jovens; | |||
* pluralidade étnica; | |||
* elevado nível de literacia e interesse cultural. | |||
A | === Modelos de pertença === | ||
A pertença ao Reino organiza-se em três modalidades: | |||
* '''Cidadãos''' — membros reconhecidos nos registos centrais; | |||
* '''Integrantes das Beetrias''' — participantes ativos na vida comunitária; | |||
* '''Membros das Ordens sociais''' — envolvidos em atividades de estudo, serviço ou trabalho operativo. | |||
- | === Projeção futura === | ||
Com o desenvolvimento de projetos culturais, patrimoniais e comunitários, prevê-se um crescimento gradual da comunidade, sobretudo através de novas Beetrias, iniciativas culturais e ligação ao espaço lusófono. | |||
</div> | |||
== Línguas == | == Línguas == | ||
<div style="text-align:justify;"> | |||
O Reino de Emínia adota oficialmente duas línguas: o '''português''' e o '''francês'''. O português é considerado a língua nacional e principal veículo cultural e identitário do Reino, enquanto o francês possui estatuto de língua co-oficial, refletindo a localização da capital, Thieux-en-Saint Théoton, e a ligação francófona presente desde a fundação. | |||
O '''inglês''' é reconhecido como língua de uso diplomático, especialmente em comunicações internacionais e no âmbito do [[Império de Karnia-Ruténia]]. | |||
=== Português === | |||
O português ocupa papel central na vida institucional de Emínia. É utilizado nos documentos legais, nas comunicações internas e na produção cultural do Reino, representando a ligação ao património lusófono e à tradição municipalista portuguesa. | |||
=== Francês === | |||
O francês, enquanto língua co-oficial, desempenha funções administrativas e protocolares, sobretudo no contexto da capital e nas comunidades francófonas associadas ao Reino. A sua presença reforça a vocação bilingue e transnacional de Emínia. | |||
=== Inglês === | |||
Embora não oficializado internamente, o inglês é amplamente usado como língua diplomática e de comunicação externa, facilitando a inserção de Emínia no espaço micronacional e internacional. | |||
</div> | |||
== Cultura == | == Cultura == | ||
A cultura | <div style="text-align:justify;"> | ||
A cultura eminiana assenta na tradição lusitana, na herança municipalista portuguesa, na convivência com o espaço francófono e na influência espiritual e filosófica do ideal do V Império. O Reino desenvolve uma identidade cultural própria que combina elementos históricos, comunitários, espirituais e intelectuais. | |||
=== Herança lusitana e municipalista === | |||
Grande parte do imaginário cultural de Emínia deriva de Portugal, incluindo: | |||
* o municipalismo medieval; | |||
* as tradições do Espírito Santo; | |||
* a centralidade da palavra dada; | |||
* a valorização da convivência comunitária. | |||
Estas influências refletem-se na organização das Beetrias, nas Cortes e no papel do Rei. | |||
=== Influência francófona === | |||
A ligação francófona resulta da localização da capital e do ambiente cultural envolvente. A bilinguidade portuguesa–francesa e certos elementos estéticos e administrativos refletem este diálogo cultural. | |||
=== O ideal do V Império === | |||
O pensamento de '''Agostinho da Silva''' tem papel central na cultura eminiana. O V Império é entendido como comunidade espiritual fundada na liberdade interior, criatividade e fraternidade, inspirando a visão cultural e comunitária do Reino. | |||
=== As Ordens Sociais === | |||
As Ordens '''Sapientiae''', '''Defensorum''' e '''Operantium''' moldam uma cultura de vocação e serviço, valorizando o estudo, a proteção comunitária e o trabalho operativo como expressões de mérito e responsabilidade. | |||
=== Expressões culturais contemporâneas === | |||
A cultura manifesta-se através de iniciativas educativas, produção simbólica, investigação histórica e espiritual, rituais comunitários e preservação criativa de tradições lusófonas. | |||
=== Património, memória e criação === | |||
O Reino promove o estudo, a preservação e a criação cultural através da Biblioteca Eminiana, das suas Ordens sociais e das Beetrias, articulando memória e inovação. | |||
</div> | |||
== Religião == | |||
<div style="text-align:justify;"> | |||
- | O Reino de Emínia não possui religião oficial, adotando uma postura de liberdade religiosa e respeito pela consciência individual. A influência religiosa em Emínia manifesta-se sobretudo em termos culturais e filosóficos, refletindo a herança portuguesa do Espírito Santo e o pensamento de Agostinho da Silva, sem caráter confessional. | ||
=== Herança do Espírito Santo === | |||
A tradição do Espírito Santo, presente na história cultural portuguesa, inspira o imaginário eminiano como símbolo de liberdade, fraternidade e renovação. Esta influência é entendida em termos culturais, e não como prática religiosa obrigatória. | |||
=== Agostinho da Silva e o V Império === | |||
O pensamento de '''Agostinho da Silva''' influencia a visão espiritual do Reino, entendendo o V Império como horizonte cultural fundado na liberdade interior, criatividade e fraternidade universal. Emínia adota esta matriz como referência filosófica e não confessional. | |||
=== Diversidade religiosa === | |||
A população eminiana apresenta diversidade de vivências espirituais, incluindo cristãos de várias tradições, agnósticos e pessoas de espiritualidade não confessional. O Reino reconhece e respeita essa pluralidade. | |||
=== Santos patronos === | |||
Tradicionalmente, dois patronos culturais estão associados ao Reino: | |||
* '''Santo André''', como patrono do Reino; | |||
* '''São Teotónio de Coimbra''', como patrono da Casa Real. | |||
Estes patronos têm significado cultural e histórico, sem implicações normativas. | |||
=== Secularidade e simbolismo === | |||
Embora laico, o Reino reconhece que elementos espirituais da cultura lusitana fazem parte da sua identidade simbólica. A espiritualidade em Emínia assume caráter cultural e filosófico, não dogmático nem institucional. | |||
</div> | |||
= Notas do Fundador — A Reformulação do Projeto (2024–2025) = | = Notas do Fundador — A Reformulação do Projeto (2024–2025) = | ||
<div style="text-align:justify;"> | |||
A primeira fase de Emínia desenvolveu-se no âmbito do micronacionalismo, refletindo modelos e práticas comuns a esse meio. Com o tempo, tornou-se evidente que tal enquadramento já não respondia às exigências conceptuais, culturais e filosóficas que o projeto começava a assumir. | |||
O afastamento progressivo do micronacionalismo coincidiu com o aprofundamento das ideias de '''Agostinho da Silva''' e do '''mito do V Império'''. Este contacto revelou uma perspetiva segundo a qual Portugal, em vários momentos da sua história, não integrou determinadas tensões estruturais que poderiam ter sido compreendidas como complementaridades. Esta reflexão abriu espaço para uma reinterpretação do papel de Emínia enquanto projeto cultural. | |||
A reformulação de 2025 estabeleceu Emínia não como um país fictício, mas como um '''laboratório cultural, comunitário e espiritual''', destinado a explorar possibilidades civilizacionais inspiradas na tradição lusitana e na articulação entre memória e futuro. O projeto passou a centrar-se na criação de estruturas comunitárias, no municipalismo, na liberdade interior e na experimentação cultural, adotando uma abordagem simbólico-operativa. | |||
A | A refundação marca, assim, a transição de Emínia para um espaço dedicado à articulação entre tradição, pertença, imaginação e responsabilidade comunitária, preservando a continuidade do seu propósito enquanto entidade cultural e institucional. | ||
</div> | |||
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Latest revision as of 20:29, 7 December 2025
| "Reino de Emínia | "Royaume d'Éminie | ||
|---|---|---|---|
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| |||
| Capital | Thieux-en-Saint Théoton | ||
| Línguas oficiais | Português (nacional) Francês (co-oficial) | ||
| Língua diplomática | Inglês | ||
| Gentílico | Eminiano | ||
| Forma de governo | Monarquia popular, municipalista e orgânica | ||
| Chefe de Estado | Rei de Emínia Luís Filipe de Emínia | ||
| Órgão executivo | Cúria Régia | ||
| Órgão representativo | Cortes Eminianas | ||
| Unidades territoriais | Beetrias | ||
| Estado-membro de | Império de Karnia-Ruténia | ||
| Fundação | 13 Dez 2020 – Proclamação 13 Dez 2021 – Tratado 2025 – Refundação | ||
| Religião | Sem religião oficial; influência cultural do Espírito Santo e do V Império | ||
| Moeda | Sem moeda oficial; Euro e Real (uso corrente) | ||
O Reino de Emínia é um Estado-membro do Império de Karnia-Ruténia e constitui uma monarquia popular, municipalista e orgânica, definida pela Ordenação Eminiana 01/2025. O Reino articula elementos da tradição jurídica e comunitária portuguesa com uma visão espiritual inspirada no ideal do V Império e na filosofia de Agostinho da Silva, configurando-se não como um Estado moderno convencional, mas como um laboratório simbólico-operativo dedicado à renovação da cultura, da comunidade e da liberdade interior.
A figura central da governação é o Rei de Emínia, guardião da identidade espiritual e cultural do Reino e símbolo da sua unidade. O monarca exerce uma autoridade de serviço, orientada pela palavra dada, pela moderação e pela missão de assegurar o equilíbrio entre os poderes e a fidelidade aos princípios da Ordenação.
A administração é conduzida pela Cúria Régia, órgão executivo responsável pela governação quotidiana, e pelas Cortes Eminianas, assembleia representativa composta por delegados das Beetrias, membros de mérito e representantes designados nos termos da Ordenação. As Beetrias constituem a base territorial e comunitária de Emínia: unidades autónomas com poderes legislativos, executivos e judiciais para assuntos locais, refletindo a tradição municipal portuguesa reinterpretada para o século XXI.
O tecido social do Reino organiza-se ainda em três Ordens — a Ordem Sapientiae, a Ordem Defensorum e a Ordem Operantium — que expressam vocações distintas dentro da comunidade: o estudo e a criação intelectual, a proteção e o serviço, e o trabalho operativo e técnico. Estas Ordens constituem um eixo civilizacional próprio, destinado a promover mérito, responsabilidade e participação ativa na vida do Reino.
Enquanto projeto cultural, Emínia reconhece a língua portuguesa como fundamento da sua identidade espiritual e histórica, adotando o francês como língua co-oficial, refletindo a localização da capital e o diálogo lusófono-francófono que marca a história do Reino. A capital, Thieux-en-Saint Théoton, acolhe a Corte e as instituições centrais, assumindo-se como o centro simbólico, espiritual e organizativo da vida eminiana.
A refundação do Reino em 2025 reafirma a sua vocação: construir um espaço onde tradição e futuro se iluminem mutuamente, integrando municipalismo, fraternidade espiritual, mérito, criação cultural e liberdade interior — uma expressão contemporânea da antiga aspiração lusitana ao Reino do Espírito Santo.
Etimologia
[edit]O nome Emínia deriva de Aeminium, designação latina atribuída ao antigo núcleo urbano que antecedeu a cidade de Coimbra durante a época romana. A etimologia de Aeminium é geralmente associada às ideias de “elevação”, “altura” ou “cimo”, refletindo a geografia da colina sobre a qual se ergueu o assentamento.
A escolha do nome para o Reino de Emínia retoma esta raiz histórica e simbólica. A ligação a Aeminium evoca não apenas uma continuidade cultural com o passado romano-lusitano, mas também a ideia de elevação espiritual e intelectual que o Reino procura promover. Assim, o termo “Emínia” não designa apenas um espaço político, mas expressa uma vocação: erguer, elevar, iluminar — retomando a dimensão ascensional que o nome original continha.
No contexto da refundação de 2025, esta etimologia adquire novo sentido enquanto metáfora de um projeto que se assume como espaço de síntese cultural, liberdade interior e experimentação civilizacional.
História
[edit]Origem (2020–2021)
[edit]O Reino de Emínia teve origem no final de 2020, num contexto de experimentação política e cultural situado no meio lusófono e franco-lusófono do micronacionalismo. Antes da sua criação formal, o projeto articulava referências simbólicas a territórios localizados em Portugal, no Brasil e em França, refletindo a trajetória pessoal e geográfica do seu fundador e o carácter transnacional da comunidade que o apoiava.
Em 13 de dezembro de 2020, Luís Filipe de Orlheón proclamou a fundação do Reino, após um período de negociações iniciado a 30 de novembro e acompanhado por interlocutores do Império de Karnia-Ruténia. O fundador era então uma figura experiente no meio, tendo dirigido o projeto do “Reino de Portugal e Algarves” em vertente simulacionista. Procurando ultrapassar os limites desse formato e construir um quadro mais coerente e identitário, abandonou o simulacionismo e estabeleceu Emínia como uma monarquia popular. Reconheceu ainda, de forma simbólica, o seu pai, Victor Manuel de Bregenza, como primeiro Rei dos Eminianos, afirmando a continuidade de uma linhagem e instituindo o seu irmão, Guilherme de Vizée, como herdeiro.
Durante o ano de 2021, Emínia participou na Conference of Santiago e em iniciativas lusófonas e brasileiras associadas ao micronacionalismo. Contudo, enfrentou também períodos de baixa atividade e limitações tecnológicas que afetaram o desenvolvimento do projeto. Estas dificuldades levaram, no final de 2021, à abertura de negociações com o Império de Karnia-Ruténia, culminando na assinatura do Tratado de Thieux-en-Saint Théoton. Pelo tratado, Emínia tornou-se um Estado-membro do Império, preservando os seus elementos culturais e identitários, ao mesmo tempo que encontrava um enquadramento mais sólido para a sua continuidade institucional.
Pausa e transformação filosófica (2022–2024)
[edit]Entre 2022 e 2024, o Reino de Emínia entrou num período de pausa e rarefação de atividade. Este intervalo marcou uma inflexão profunda no projeto: não se tratou apenas de uma suspensão prática, mas de um momento de transformação conceptual que levou à revisão integral da identidade, do propósito e das finalidades do Reino.
O ponto de viragem ocorreu quando o fundador de Emínia se aproximou do pensamento de Agostinho da Silva, especialmente do ideal do V Império — uma das mais originais sínteses filosóficas da cultura portuguesa. Diferentemente de conceções políticas ou imperiais tradicionais, o V Império, segundo Agostinho, não se define por território, poder militar ou administração estatal. É, antes, uma comunidade espiritual de povos, unida pela criatividade, pela liberdade interior, pela fraternidade e pela recusa de estruturas opressivas. É um “império da liberdade”, no qual cada pessoa alcança a plenitude das suas possibilidades e onde a governação é entendida como serviço e não domínio.
Outro elemento determinante desta fase foi a leitura agostiniana da figura de Dom Dinis, vista não como rei absoluto ou feudal, mas como exemplo de governação equilibrada, fundada na palavra dada, na autonomia das comunidades e na promoção da cultura e do conhecimento. Para Agostinho da Silva, Dom Dinis personificava uma forma de monarquia orgânica, na qual o rei é guardião, mediador e servidor — e não mero administrador do Estado. Esta perspetiva convergiu com a intuição de que Emínia poderia reviver um modelo político baseado na autonomia local, na responsabilidade comunitária e num serviço régio de inspiração espiritual e cultural.
Destas reflexões nasceu a ideia de que Emínia deveria tornar-se um espaço simbólico-operativo, conceito que descreve uma entidade que não depende de território físico para ter existência real. É simbólico, porque trabalha com a memória, a tradição, a identidade e a imaginação cultural. É operativo, porque atua na vida das pessoas através de práticas, projetos, educação, criação, investigação, rituais comunitários e serviço — transformando efetivamente mentalidades, comunidades e modos de viver.
Assim, entre 2022 e 2024, Emínia deixou progressivamente de se ver como uma micronação e começou a maturar num projeto civilizacional inspirado pela cultura lusitana, pela visão do V Império, pela intuição agostiniana do futuro e pelo municipalismo tradicional português. A pausa revelou-se não interrupção, mas gestação: o Reino como possibilidade, não como imitação; como criação, não como simulação.
Refundação e Ordenação Eminiana (2025)
[edit]A refundação de Emínia em 2025 constituiu um marco decisivo na evolução do Reino. Após o período de pausa e transformação conceptual que caracterizou os anos de 2022 a 2024, tornou-se claro que o projeto necessitava de uma nova base jurídica, simbólica e operacional que integrasse coerentemente os princípios espirituais, comunitários e culturais amadurecidos durante aquele período de reflexão.
A resposta foi a promulgação da Ordenação Eminiana 01/2025, que substituiu completamente os textos constitucionais anteriores e estabeleceu o enquadramento político, cultural e espiritual que hoje define o Reino. A Ordenação funciona simultaneamente como lei fundamental, carta de missão e pacto civilizacional.
Entre as suas principais inovações, destacam-se:
1. Monarquia popular, municipalista e orgânica. A Ordenação descreve Emínia como uma monarquia de serviço, estruturada através das Beetrias — comunidades autónomas com competências legislativas, executivas e judiciais sobre a vida local — resgatando e atualizando a tradição municipalista portuguesa.
2. O papel do Rei como guardião espiritual e cultural. Inspirado pela leitura agostiniana de Dom Dinis, o Rei é mediador, protetor e servidor da comunidade, exercendo uma autoridade associada ao serviço, à palavra dada e à promoção da harmonia interna.
3. Criação das três Ordens sociais. A sociedade organiza-se em três Ordens vocacionais:
- Sapientiae — estudo, criação intelectual e reflexão cultural;
- Defensorum — proteção, serviço comunitário e mediação;
- Operantium — trabalho operativo, técnico e artesanal.
Estas Ordens valorizam mérito, utilidade comum e realização pessoal.
4. Centralidade das Beetrias. Unidades territoriais autónomas, as Beetrias elaboram Forais, elegem representantes, administram recursos e definem costumes locais, constituindo o núcleo do municipalismo eminiano.
5. Integração no Império de Karnia-Ruténia. A refundação reafirma a vigência do Tratado de Thieux-en-Saint Théoton e a posição de Emínia como Estado-membro do Império, preservando autonomia cultural e espiritual.
6. Emínia como micronação ampliada e espaço simbólico-operativo. A refundação reafirma Emínia como micronação, mas ultrapassa o modelo convencional associado ao termo. O Reino torna-se um espaço simbólico-operativo, onde símbolos, memória, tradição e imaginação cultural coexistem com práticas concretas — educativas, comunitárias, criativas e espirituais — produzindo efeitos reais na vida das pessoas. Assim, a micronação deixa de ser o fim e converte-se no veículo de um projeto civilizacional mais amplo.
A refundação de 2025 assinala, assim, a maturação plena do projeto. Emínia deixa de ser uma experiência político-simulacionista e converte-se num espaço de síntese entre tradição e futuro, reinvenção cultural, educação para a liberdade e construção comunitária. A Ordenação Eminiana estabelece as bases de um Reino cuja finalidade não é apenas imitar Estados, mas gerar sentido, cultivar espírito e oferecer caminhos alternativos para a vida comum.
Geografia
[edit]A geografia de Emínia combina elementos territoriais existentes no âmbito micronacional com estruturas operativas definidas pela Ordenação Eminiana. Embora o Reino não detenha soberania territorial reconhecida internacionalmente, mantém uma estrutura formal com capital definida e unidades territoriais denominadas Beetrias. A longo prazo, o projeto contempla a possibilidade de adquirir ou administrar espaços físicos para fins culturais ou comunitários.
Organização territorial: as Beetrias
[edit]As Beetrias constituem a divisão territorial fundamental de Emínia. Cada Beetria é definida como:
- unidade territorial autónoma reconhecida pelo Reino;
- detentora de competência legislativa local;
- administrada segundo o seu Foral;
- responsável pela gestão de recursos, usos e costumes;
- representada nas Cortes Eminianas.
Ainda que algumas Beetrias possuam natureza simbólica, o modelo territorial foi concebido para acomodar futura expansão física, incluindo propriedades rurais, espaços culturais ou enclaves administrativos.
Capital: Thieux-en-Saint Théoton
[edit]A capital de Emínia é Thieux-en-Saint Théoton, localizada na região francófona associada ao percurso pessoal e comunitário do fundador. A cidade acolhe a Corte, a Cúria Régia e os principais órgãos administrativos do Reino.
Território e operacionalidade
[edit]O conceito territorial de Emínia assenta em três dimensões:
- Território formal — constituído pelas Beetrias reconhecidas;
- Território aspiracional — áreas cuja futura aquisição ou administração é considerada possível pelo Reino;
- Território simbólico-operativo — espaços relevantes pela sua função cultural, comunitária ou institucional.
Este modelo permite o desenvolvimento progressivo do Reino sem renunciar à consolidação futura de território físico.
Enquadramento histórico-territorial
[edit]Nas fases iniciais (2020–2021), Emínia utilizou referências territoriais simbólicas associadas a Portugal, Brasil e França. Com a refundação de 2025, adotou uma estrutura territorial estável, centrada na capital e nas Beetrias, mantendo abertura à expansão e consolidação territorial futura.
Política
[edit]A política do Reino de Emínia organiza-se de acordo com a Ordenação Eminiana 01/2025, que define o Reino como uma monarquia popular, municipalista e orgânica. O sistema combina elementos da tradição municipal portuguesa com uma estrutura régia de caráter moderador, valorizando a autonomia comunitária e a participação local.
Sistema político
[edit]O modelo político eminiano assenta em três pilares:
- a autoridade régia como serviço e mediação;
- a autonomia das Beetrias enquanto unidades territoriais;
- a participação comunitária através das Cortes Eminianas e das Ordens sociais.
Monarca
[edit]O Rei de Emínia é Chefe de Estado e símbolo da unidade do Reino. Exerce funções moderadoras, culturais e representativas, inspiradas na leitura agostiniana de Dom Dinis. Compete-lhe sancionar normas, nomear a Cúria Régia, convocar as Cortes e supervisionar as Ordens sociais.
Cúria Régia
[edit]A Cúria Régia é o órgão executivo do Reino, composta por oficiais nomeados pelo Rei. É responsável por executar decisões régias e legais, coordenar a administração central e apoiar as Beetrias.
Cortes Eminianas
[edit]As Cortes Eminianas são a assembleia representativa do Reino. Não são bicamerais e incluem:
- delegados das Beetrias;
- representantes das Ordens;
- membros de mérito.
Compete-lhes deliberar sobre matérias gerais, aconselhar o Rei e aprovar normas de interesse comum.
Ordens sociais
[edit]A sociedade organiza-se em três Ordens:
- Sapientiae — estudo e criação intelectual;
- Defensorum — serviço comunitário e mediação;
- Operantium — trabalho operativo e técnico.
As Ordens funcionam como estruturas vocacionais ao serviço da comunidade.
Beetrias
[edit]As Beetrias são unidades territoriais autónomas com Forais próprios, competências legislativas locais, administração interna e representação nas Cortes. Constituem a base do municipalismo eminiano.
Emínia no Império de Karnia-Ruténia
[edit]Emínia é Estado-membro do Império de Karnia-Ruténia ao abrigo do Tratado de Thieux-en-Saint Théoton. Mantém autonomia interna e cultural, integrando-se simultaneamente na estrutura imperial e reconhecendo o Imperador como autoridade suprema do Império.
Economia
[edit]A economia do Reino de Emínia encontra-se numa fase de desenvolvimento inicial, refletindo a sua natureza micronacional e o seu enquadramento enquanto Estado-membro do Império de Karnia-Ruténia. Durante o período anterior à refundação de 2025, a atividade económica era limitada, influenciada pelas restrições impostas pela pandemia de COVID-19 e pela ausência de estruturas operativas mais amplas.
Historicamente, o Reino estudou a possibilidade de adotar o Conferential Doubloon, moeda virtual ligada à Conference of Santiago Financial Authority. A adoção dependia da evolução do estatuto de Emínia naquela organização, na qual detinha posição de observador.
Com a refundação, a política económica passou a orientar-se para três eixos principais:
Economia comunitária e municipalista
[edit]Inspirada na autonomia das Beetrias, a economia local enfatiza iniciativas cooperativas e comunitárias, incluindo agricultura de pequena escala, artesanato, serviços culturais e economia solidária.
Projetos culturais e patrimoniais
[edit]O Reino tem como objetivo estratégico a criação ou gestão de espaços físicos — como propriedades rurais, centros culturais ou património restaurado — gerando receitas próprias, atividades educativas, turismo cultural e emprego comunitário.
Sistemas económicos alternativos
[edit]Emínia mantém abertura para modelos económicos inovadores, incluindo:
- moedas alternativas internas;
- créditos comunitários;
- economias simbólicas associadas às Ordens sociais;
- eventual integração em estruturas financeiras lusófonas ou micronacionais.
A economia eminiana privilegia a sustentabilidade comunitária e cultural, funcionando como suporte da vida social, espiritual e identitária do Reino.
Demografia
[edit]A população do Reino de Emínia é reduzida e varia conforme o nível de participação ativa dos seus membros. Tal como ocorre em várias micronações contemporâneas, a demografia eminiana não se define por critérios territoriais tradicionais, mas pelo vínculo jurídico, cultural e comunitário estabelecido com o Reino.
Durante a fase inicial (2020–2021), os registos oficiais indicavam entre cinco e seis cidadãos, localizados sobretudo em Portugal, França e Brasil. Após a refundação de 2025, o número de cidadãos passou a refletir sobretudo a adesão às estruturas institucionais — Beetrias e Ordens sociais — mais do que a residência física num território específico.
Distribuição e composição
[edit]A comunidade eminiana caracteriza-se por:
- dispersão geográfica entre Europa e América do Sul;
- predomínio de adultos jovens;
- pluralidade étnica;
- elevado nível de literacia e interesse cultural.
Modelos de pertença
[edit]A pertença ao Reino organiza-se em três modalidades:
- Cidadãos — membros reconhecidos nos registos centrais;
- Integrantes das Beetrias — participantes ativos na vida comunitária;
- Membros das Ordens sociais — envolvidos em atividades de estudo, serviço ou trabalho operativo.
Projeção futura
[edit]Com o desenvolvimento de projetos culturais, patrimoniais e comunitários, prevê-se um crescimento gradual da comunidade, sobretudo através de novas Beetrias, iniciativas culturais e ligação ao espaço lusófono.
Línguas
[edit]O Reino de Emínia adota oficialmente duas línguas: o português e o francês. O português é considerado a língua nacional e principal veículo cultural e identitário do Reino, enquanto o francês possui estatuto de língua co-oficial, refletindo a localização da capital, Thieux-en-Saint Théoton, e a ligação francófona presente desde a fundação.
O inglês é reconhecido como língua de uso diplomático, especialmente em comunicações internacionais e no âmbito do Império de Karnia-Ruténia.
Português
[edit]O português ocupa papel central na vida institucional de Emínia. É utilizado nos documentos legais, nas comunicações internas e na produção cultural do Reino, representando a ligação ao património lusófono e à tradição municipalista portuguesa.
Francês
[edit]O francês, enquanto língua co-oficial, desempenha funções administrativas e protocolares, sobretudo no contexto da capital e nas comunidades francófonas associadas ao Reino. A sua presença reforça a vocação bilingue e transnacional de Emínia.
Inglês
[edit]Embora não oficializado internamente, o inglês é amplamente usado como língua diplomática e de comunicação externa, facilitando a inserção de Emínia no espaço micronacional e internacional.
Cultura
[edit]A cultura eminiana assenta na tradição lusitana, na herança municipalista portuguesa, na convivência com o espaço francófono e na influência espiritual e filosófica do ideal do V Império. O Reino desenvolve uma identidade cultural própria que combina elementos históricos, comunitários, espirituais e intelectuais.
Herança lusitana e municipalista
[edit]Grande parte do imaginário cultural de Emínia deriva de Portugal, incluindo:
- o municipalismo medieval;
- as tradições do Espírito Santo;
- a centralidade da palavra dada;
- a valorização da convivência comunitária.
Estas influências refletem-se na organização das Beetrias, nas Cortes e no papel do Rei.
Influência francófona
[edit]A ligação francófona resulta da localização da capital e do ambiente cultural envolvente. A bilinguidade portuguesa–francesa e certos elementos estéticos e administrativos refletem este diálogo cultural.
O ideal do V Império
[edit]O pensamento de Agostinho da Silva tem papel central na cultura eminiana. O V Império é entendido como comunidade espiritual fundada na liberdade interior, criatividade e fraternidade, inspirando a visão cultural e comunitária do Reino.
As Ordens Sociais
[edit]As Ordens Sapientiae, Defensorum e Operantium moldam uma cultura de vocação e serviço, valorizando o estudo, a proteção comunitária e o trabalho operativo como expressões de mérito e responsabilidade.
Expressões culturais contemporâneas
[edit]A cultura manifesta-se através de iniciativas educativas, produção simbólica, investigação histórica e espiritual, rituais comunitários e preservação criativa de tradições lusófonas.
Património, memória e criação
[edit]O Reino promove o estudo, a preservação e a criação cultural através da Biblioteca Eminiana, das suas Ordens sociais e das Beetrias, articulando memória e inovação.
Religião
[edit]O Reino de Emínia não possui religião oficial, adotando uma postura de liberdade religiosa e respeito pela consciência individual. A influência religiosa em Emínia manifesta-se sobretudo em termos culturais e filosóficos, refletindo a herança portuguesa do Espírito Santo e o pensamento de Agostinho da Silva, sem caráter confessional.
Herança do Espírito Santo
[edit]A tradição do Espírito Santo, presente na história cultural portuguesa, inspira o imaginário eminiano como símbolo de liberdade, fraternidade e renovação. Esta influência é entendida em termos culturais, e não como prática religiosa obrigatória.
Agostinho da Silva e o V Império
[edit]O pensamento de Agostinho da Silva influencia a visão espiritual do Reino, entendendo o V Império como horizonte cultural fundado na liberdade interior, criatividade e fraternidade universal. Emínia adota esta matriz como referência filosófica e não confessional.
Diversidade religiosa
[edit]A população eminiana apresenta diversidade de vivências espirituais, incluindo cristãos de várias tradições, agnósticos e pessoas de espiritualidade não confessional. O Reino reconhece e respeita essa pluralidade.
Santos patronos
[edit]Tradicionalmente, dois patronos culturais estão associados ao Reino:
- Santo André, como patrono do Reino;
- São Teotónio de Coimbra, como patrono da Casa Real.
Estes patronos têm significado cultural e histórico, sem implicações normativas.
Secularidade e simbolismo
[edit]Embora laico, o Reino reconhece que elementos espirituais da cultura lusitana fazem parte da sua identidade simbólica. A espiritualidade em Emínia assume caráter cultural e filosófico, não dogmático nem institucional.
Notas do Fundador — A Reformulação do Projeto (2024–2025)
[edit]A primeira fase de Emínia desenvolveu-se no âmbito do micronacionalismo, refletindo modelos e práticas comuns a esse meio. Com o tempo, tornou-se evidente que tal enquadramento já não respondia às exigências conceptuais, culturais e filosóficas que o projeto começava a assumir.
O afastamento progressivo do micronacionalismo coincidiu com o aprofundamento das ideias de Agostinho da Silva e do mito do V Império. Este contacto revelou uma perspetiva segundo a qual Portugal, em vários momentos da sua história, não integrou determinadas tensões estruturais que poderiam ter sido compreendidas como complementaridades. Esta reflexão abriu espaço para uma reinterpretação do papel de Emínia enquanto projeto cultural.
A reformulação de 2025 estabeleceu Emínia não como um país fictício, mas como um laboratório cultural, comunitário e espiritual, destinado a explorar possibilidades civilizacionais inspiradas na tradição lusitana e na articulação entre memória e futuro. O projeto passou a centrar-se na criação de estruturas comunitárias, no municipalismo, na liberdade interior e na experimentação cultural, adotando uma abordagem simbólico-operativa.
A refundação marca, assim, a transição de Emínia para um espaço dedicado à articulação entre tradição, pertença, imaginação e responsabilidade comunitária, preservando a continuidade do seu propósito enquanto entidade cultural e institucional.
Ver também
[edit]- Ordenação Eminiana 01/2025
- Cúria Régia
- Cortes Eminianas
- Beetrias de Emínia
- Tratado de Thieux-en-Saint Théoton
- Biblioteca Eminiana
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